Normalmente, quando a matéria entra em contato com seu oposto, a antimatéria, ambas se "suicidam" em uma explosão súbita de energia causada por elas mesmas. A ciência acredita que as duas existiam em quantidades iguais logo após o Big Bang, mas se destruíram. Para nossa sorte, vivemos em um universo com matéria em abundância e muito pouca antimatéria, o que permitiu a formação dos planetas, galáxias, estrelas e tudo o que conhecemos do universo.

Só que, bizarramente, algumas matérias também podem ser antimatérias ao mesmo tempo. Os chamados férmion de Majorana, em referência ao físico italiano Ettore Majorana, seriam partículas que são suas próprias antipartículas, capazes de se autoaniquilar em certas condições. Há décadas os físicos suspeitaram que os neutrinos poderiam entrar nessa categoria e, caso seja comprovado, seria possível detectar melhor como acontece esse processo - um dos mais raros do universo, que acontece a cada 100 trilhões de trilhões de anos.

Testes feitos em laboratório também apontaram para essa teoria que iria contra as leis da física. Ao arrancarem um elétron de um supercondutor, a lacuna deixada pelo elétron age como uma partícula positivamente carregada com exatamente a mesma massa. Se os dois são manipulados da maneira correta, então eles podem ser feitos para agir como as partículas Majorana.